Pasmem!!!
Meu primeiro beijo na boca foi aos 17 anos...
Um namorado meio arranjado, de boa família, gentil, do tipo "sabia tudo" (e eu? não sabia quase nada).
Tentou me moldar ao jeito dele... Ensinando eu me vestir como uma dama (ou com roupas que a mãe dele usava), tudo muito sóbrio, sapatos "Germon's" (eu nem sabia o que era isso..), bico fino e saltos baixinhos ou nenhum (ele não era muito privilegiado na altura), cor predileta dele azul marinho (até hoje não suporto a cor), entre outras indumentárias e comportamentos próprios de uma verdadeira lady.
O rapaz, como todo bom moço endinheirado, praticava equitação (esporte que no mínimo requer um cavalo...).
O moço (alguns anos mais velho do que eu, mas nem tanto) na fase que estava me conquistando enchia-me de mimos, flores, muitas flores e.. livros (de etiqueta... não riam ele estava investindo em mim).
Até então estávamos na paquera... Sempre fui moça de família!
Começou a me levar na hípica para assistir suas apresentações e competições. Tudo chiquérrimo, e eu parecia um ET diante de tanto luxo.
Cada salto que dava em seu cavalo imponente, me olhava de soslaio como que mandando um recadinho "viu do que sou capaz, sou o máximo, o melhor"... E eu me achando a última rosquinha do pacote.
Tudo bem que vez ou outra ele corrigia meu comportamento sorridente demais (ou seria vistoso ao extremo?)...
Na hora da premiação das provas, com aquele uniforme impecável, subia no podium, beijava o troféu ou medalha e apontava pra mim... Não bastando, muito "ordinariamente" (naquele momento eu não achava isso), ainda pegava o microfone e dizia: "ofereço minha vitória à moça mais linda da festa, minha musa, meu amor, futura mãe dos meus filhos".... E ainda tirava o chapéuzinho... E vinham palmas, muitas palmas, olhares em minha direção....
Assim, foi ganhando a moça sonhadora que sempre fui, com atos que deixavam todas as outras mordendo o cotovelo de tanta inveja... E a Dona Encrenca achando tudo aquilo o futuro da minha vida!
Claro, depois de tudo isso eu tinha que encarar o primeiro beijo... "Que medo!" Fechei os meus olhinhos e fiquei esperando... Achei tudo muito esquisito, não sabia onde deveria colocar minha língua, parecia que a dele não cabia na minha boca, ele me apertava contra ele, e eu recuando com as duas mãos no peito dele tentando manter a distância.. que sufoco.. ainda bem que acabou!
Esperei o comentário do homem mais romântico da face da terra.. e veio: "você não sabe beijar não? vou ter que ensinar você minha linda?"... Pensei "me ferrei"... E fiz aquela carinha de paisagem, típica de quem não tem resposta, torcendo pra que ele não desistisse de mim por isso.
Em casa continuei sonhando, sabia que mais cedo ou mais tarde, ele me ensinaria a beijar como ele gostava e pronto! Afinal eu era o amor seu eterno, a escolhida, e sem mim ele não ficaria nunca mais...
Cada dia tudo ficava mais romântico, as flores continuavam a chegar, cartinhas melosas, elogios infindáveis... acho que até o beijo eu já estava gostando (mesmo porque cada vez que eu beijava errado ele parava tudo e fazia eu começar de novo..).
Até que um dia, na escada do prédio (coisa de cara complexado eu acho, ele no degrau de cima e eu, mais alta, no degrau de baixo pra equilibrar a altura), durante o beijo de despedida, ele interrompendo pra dizer que me amava, querendo ouvir que eu também o amava... e mais beijos intermináveis (eu estava gostando da novidade, do aprendizado)... Eis que o cavalheiro/cavaleiro, do nada, sem aviso prévio, colocou logo as duas mãos (ou seriam patas eqüinas) nos meus seios!
Surtei! Me ofendi, comecei a chorar, disse que eu não era dessas moças vagabundas, e que jamais repetisse tal ato! (Tô falando sério!)
Nem boa noite eu falei. Voltei ao apartamento chorando, minha mãe não entendendo nada, e eu morrendo de vergonha, como poderia contar isso pra alguém? Me tranquei no meu quarto...
Chorei, chorei, me decepcionei. Na minha cabeça meu castelo ruiu, meu namorado um pervertido!
No dia seguinte, olhos inchados, acordei (se é que dormi) sem rumo, morrendo (ou pronta para o próprio enterro)... Quando chego na sala, Mami nem perguntou o que eu tinha. Apenas apontava pra todos os cantos da casa... Flores: rosas, margaridas, orquídeas, gérberas, camélias... todas com cartões de desculpas, jurando que não mais aconteceria, mas que eu o deixava louco...
E o dia inteiro foi assim... mais flores, cartões apaixonados, súplicas, amor eterno...
Mas minha cabecinha insistia na pergunta: "o que será que fiz de errado pra ele estar enlouquecendo?". Por mais que pensasse eu não chegava a conclusão alguma...
Acreditem, lógico que eu sabia como os bebês eram feitos, mas não imaginava que muitas coisas (fora o beijo) tinham que acontecer antes do casamento e da "elaboração" de um bebê.
Na escola as meninas falavam coisas, mas eu achava que elas eram saidinhas e que não casariam... E, como D. Encrenca achava o mesmo, fui assimilando tal ditadura sexual.
Bem, o romantismo e os beijinhos inocentes duraram, entre cortejo e namoro, aproximadamente três meses, quando descobri que eu era realmente a princesa... mas ele tinha plebéias com peitos e outras coisas ao seu inteiro dispor!
Meu primeiro namorado, primeiro beijo, primeira traição, primeira decepção.... e mais uma vez... vontade de morrer... Chorei rios e oceanos por dias e dias, tentando entender... e após acabar com o namoro, comecei a elaborar meus planos: Plano A- exterminar todas as "putas" do planeta; Plano B- esconder meus peitos o mais que pudesse, pois tinha convicção que eles foram os culpados de toda aquela tragédia!
Depressiva, rejeitada e apertando os peitos o quanto podia. Parecia que por eu ser muito magrinha eles ficavam maiores ainda.. Decote? Nem em sonhos!!!! Eu sentia que os seios chegavam antes de mim...
Com o tempo (não mais do que duas semanas) voltei ao ritmo de vida normal, frequentando o cursinho, novos amigos e.... eu aprendi beijar, já era "super" experiente! Dona do pedaço, como sempre, voltei a ser quem eu era, roupas mais exóticas, coloridas, nada de azul marinho e nunca mais deixei de usar salto!
A turma do cursinho, que antes eu não dava muita bola (eu era comprometida, lembram?), começou a me introduzir num papo ou outro, e convites começaram a pintar. Eu, ainda tímida, recusava. Mas já estava de olho num moço altão que sentava no fundo da classe... e me parecia que a recíproca era verdadeira.
Olhares daqui, conversinhas de lá, brincadeiras idiotas entre os rapazes, indiretas pra matar aula (jamais, eu não era disso), os novos amigos me convidaram pra ir numa discoteca (se não me falha a memória lá pelos lados da São Gabriel.. chamava "banana alguma coisa")...
Sempre me achando esperta, levei minha tia, irmã solteirona da minha mãe (de seis irmãos ela era a mais velha e minha mãe a caçulinha..).
O próximo paquera (que já estava completamente na minha) tinha que perceber eu era moça séria!
Chegando lá, com a tia a "tiracolo" dizendo que eu era a moça mais bonita (no claro, porque quando as luzes começaram a piscar nem eu me identificava..), sugeriu que eu fosse dançar com minha turma enquanto ela ficaria sentada na última mesa me olhando (ou dormindo), e que eu aproveitasse!
Entre uma piscada de luz e outra, achei meu paquera... e meu lado "tô me achando" baixou rapidinho quando comecei a dançar. Dancei muito (ou me exibia pra ele?), como se já frequentasse tais casas noturnas minha vida toda...
Ele, de vez em quando, chegava mais pertinho e falava qualquer coisa no meu ouvido. E eu mesmo sem entender nada (porque a música estava muito alta), sorria simpática...
Só sei que entre um sussurro e um sorriso acabei aceitando sem saber direito com que estava concordando.. (já disse, a música estava me deixando surda)
Descobri, que ele me levava, com todo respeito, até o bar.... Foi quando tomei meu primeiro Martini (afinal eu já sabia beijar, precisava impressionar!).
Bem, deixemos esse, quem sabe, "futuro" namorado pra outro dia....
segunda-feira, 31 de março de 2008
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11 comentários:
Pô Maroca!
"Volver a los 17..."
Mara, eu voltei aos 18 lá no blog. hahahaha...Adorei essa viagem, os detalhes, os sentimentos. Fui teletransportada para o meu primeiro beijo, que não foi com meu primeiro amor. E para o meu primeiro amor, que não foi o primeiro beijo.
Valeu
Bjs
Tenho uma coisa a dizer:
Abaixo a opressão aos peitos!!!
Dito isso, não deixe de nos contar a continuação.
Ô Bob, sem querer polemizar,
como assim abaixo "pressionar" os peitos? Uma pressãozinha básica é importante, rapaz. É ou não é, Maroca?
Mara,
veja com a minha simplicidade..rs...(lá vem bobagem)
se você tivesse mostrado os peitinhos, a coisa seria mais fácil.
:P
por isso, que eu trato de pôr os meus lá no blog logo..
rs rs rs
brincadeira amada,
beijos, adorei a história
mas, vem cá, aos 17 mesmo???? meu deus, estou me sentindo a pervertida... heheh (ebaaaaaa..rs)- tudo bem, que Gi tem me superado ultimamente..rs.. nos "causos"..rs
rs
... E você tem uns seios lindos, cheios, voluptuosos! Fiquei com pena do rapazinho, coitado... O que ele perdeu!
Ele nunca mais foi o mesmo, né?...
Ei Almost, pára com isso!!! rs Fica fazendo propaganda do que não viu... Tá louco rapaz?!
bjs
Mara
Oi, Mara:
O tal praticante de hipismo, com toda aquele romantismo piegas e aquela melosidade, demorou foi muito para dar uns amassos e tirar uns sarros.
Se fosse comigo, já no segundo ou no máximo no terceiro encontro já estaria conferindo a qualidade e a consistência de um material exuberante como parece ser o seu... rs rs rs
Sou totalmente favorável a um test-drive logo no início do namoro, para ver se os hormônios e os feromônios são compatíveis.
Com posts desse tipo, você só faz aumentar o nível da minha testoterona, que você disse estar nas alturas. Mais rs rs rs
Abraços
MR
02/04 - 00:30
ainda be que não fui a única a beijar aos 17 rsrs
Tô curiosa para ler a parte II!!
Beijos!!
Hehe RM, mas esta pressão por vc indicada não oprime e sim os exulta, e é de extrema importância. Agora a pressão descrita no texto tira a liberdade dos peitos, e sou totalmente contra essa segunda.
HAHAHAHAHA
Muito engraçados esses dramas de adolescência!!!
Passei por isso com uns 14 anos também!!!
Moça de Família!! Isso aí!
Exterminar todas as putas do mundo pareceu um bom plano hehehehe
Ai, se todos os dramas da vida fossem como os desses tempos, né?
beijão!!
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