
Fiz faculdade de direito e nunca exercí efetivamente, porém é o tipo de curso que ensina seus frequentadores (quando têm o mínimo de empenho e assiduidade) a interpretar e arguir com rapidez...
No meu caso, o que me restou também das reminicências jurídicas foi a minha pronta auto-defesa e usufruir meus direitos respeitando os direitos alheios.
Acredito até que seria uma boa advogada, porém quando concluí o curso já exercia cargo de secretária executiva, onde o salário era infinitamente superior ao de um estagiário, o que me fez trilhar por outros caminhos.
Não sei se concordam comigo quanto ao período que estamos na faculdade... Pra mim foram anos incríveis!
Muitos amigos, direito civil, cerveja depois das aulas, direito penal, muita paquera, direito contitucional, participação de eventos, teoria geral do estado, festas, direito comercial, pagodes (que nada mais eram do que festas regadas a samba e muita dança)... Muito dura a vida de um estudante!!!
No auge dos meus 18 anos, com um corpo escultural (naquela época rs), sempre sorrindo, numa classe muito heterogênia que era constituída por: filhinhos de papai, pais de família, mulheres mais velhas e bem sucedidas complementando seus conhecimentos, garotas ingênuas e felizes com todo movimento e novidades (eu fazia parte dessa tribo), todos eram muito unidos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença!
Sempre presente com amigos e mestres, meu jeito altamente exótico e falante foi se popularizando... Recebia muitos mimos dos amigos e ódio das meninas! Eu nunca tive amigas, só amigos, e todos me respeitavam e protegiam sempre.
Não resta dúvida que haviam investidas masculinas, alguns namoricos, beijinhos sem compromisso (não existia o termo "ficar" rs), rapazes sempre prontos pra partner na hora da música....
Eis que recebo um convite inesperado: ser destaque de uma escola de samba de SP! Uau!!! Fui escolhida por votos unânimes... Meu ego explodiu, me ví na avenida com um minúsculo biquini, plumas de algum pássaro bem exótico na cabeça, super sandália plataforma (claro que eu pareceria um carro alegórico com a altura que ficaria... mas...rs), sambando, levantando a arquibancada (o desfile era na Av. Tiradentes, ainda não existia o sambódromo), mandando beijinhos e acenando com admiradores aos meus pés.... rsrs
Naquela noite fiquei tão entusiasmada com o convite que só faltei dar autógrafos. Muita cerveja pra comemorar o resultado do concurso e a consagração da Mara Maravilha (já tinham me informado meu nome artístico...rs).
Com tudo isso acontecendo de forma inesperada pra mim, os pretendentes (interessantes ou não, feios ou bonitos, príncipes ou "cafas") caiam do céu para que eu escolhesse.... E eu me fazendo de difícil pois afinal de contas era quase famosa... e me comportando como se fosse a última rosquinha do pacote!
Chegando em casa, sexta-feira, altas horas, festa de arrebentar em minha homenagem, não via a hora de dar a notícia aos meus pais.... Que droga, eles já estavam dormindo. Pra quem eu contaria a novidade? Ahh se houvesse msn, orkut e celular.... eu estaria na rede rapidamente!
Demorei a dormir, sonhando com meu minúsculo biquini (ou era tapa sexo?) quase sumindo no corpão que eu tinha!
The day after... manhã de sábado, levantei animadíssima e encontrei meus pais na cozinha... Só conseguia pensar "vão morrer de orgulho de mim"!
Entrei triunfalmente falando:
- Tenho uma óóóótima notícia pra dar!
Minha mãe me olhou e na lata disse (não sabendo que já tinha uma filha famosa):
-Foi promovida no emprego? Terá aumento?
-Não Mã, muito melhor! - eu já ria por dentro...
Nessa altura meu pai, sempre na dele, calmo, praticamente mudo, parou de tomar seu café e ficou esperando eu falar...
-Pá, Mã, vocês vão ficar super felizes com o convite que recebí...
D. Encrenca já ressabiada:
- Pára de enrolar, te conheço, fala logo! Olha só Cé (Cé de Cesar - nome do meu pai) sua filha sempre assim, me deixando nervosa! Ô meu Deus!
É óbvio que o Cé continuou mudo e inerte, apenas mexeu seu queixo pra cima. Eu sabia que aquele gesto significava "fala logo".
-Pá, fui convidada pra ser destaque da Vai Vai no próximo carnaval! Não é demais Mã?
Naquele momento os dois se olharam, minha mãe tentou abrir a boca para se pronunciar... quando então o Cé, até então se fazendo de mudinho, disse com a maior calma do mundo e sem mudar seu tom de voz (sempre baixo e elegante):
- Nem pensar! Não! Está fora de cogitação! Esqueça! O que você está pensando? Tá louca? Pois trate de esquecer!
-Mas Pá....
-NÃO!!!! (aqui a voz dele soou um poquinho mais alta... ai ai)
Sem chance de negociação, pai quieto quando diz não para filhas normais... é uma vez só... Porém, meu lado rebelde resolveu insistir, questionar, argumentar.... em vão. Perdí a parada!
Só conseguí dizer, já com lágrimas penduradas:
-Vou carregar esta frustração até a morte e o senhor é o responsável pela minha infelicidade!!!
Nessas alturas as lágrimas já estavam pingando no chão e eu já as enxugava com o pano de prato...
Não funcionou, emburrei, fui para meu quarto (claro, batí a porta com toda força... tremendo o prédio inteiro), me tranquei, chorei, uivei, dei porrada no travesseiro, chamei meus pais dos piores nomes (baixinho pra eles não ouvirem... nunca fui tão doida assim né)...
Ressaca de choro é f....! Dói o olho, dói a cabeça, sensação só desejada aos piores inimigos... e às invejosas da faculdade... ai Meu Jesus Cristinho... o que vai ser de mim?
Chegou a segunda-feira a noite. O pior? Inventar uma desculpa ao meu fã clube (praticamente formado) e à toda comunidade da escola de samba (será que eles sabiam quem era eu?).
Sim, usei da minha super educação que me acomete nessas horas difíceis, meu charminho que eles tanto gostavam, meus trejeitos adolescentes.. e contei uma baita mentira: que faria uma viagem maravilhosa na época do carnaval e teria que declinar o convite... (Snif lá se foi minha oportunidade... snif snif)
Meu cotovelo ardia de tanta dor quando disseram que escolheriam outra garota.
Mas, como nunca fui de cair facilmente, nem muito menos demonstrar minhas fragilidades.. Levantei o nariz, subí no salto e agí como se nada daquilo importasse...
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"Delírio sensual, arco-íris do prazer, amor eu vou te anoitecer..." (Ouvindo este samba enredo hoje, que não foi da Vai Vai, mas da Mocidade (ou seria Mangueira? não importa, depois eu confirmo), que lembrei da minha tão rápida carreira de destaque da Vai Vai...
"Delírio sensual, arco-íris do prazer, amor eu vou te anoitecer..." (Ouvindo este samba enredo hoje, que não foi da Vai Vai, mas da Mocidade (ou seria Mangueira? não importa, depois eu confirmo), que lembrei da minha tão rápida carreira de destaque da Vai Vai...
Voltando pra informar que é da Mocidade... "Eu vejo a lua no céu, a mocidade chegou, de verde e branco na Sapucaí..."rs

25 comentários:
Ótimo texto, Mara.
Gostei muito mesmo.
(e como tenho arrumado muita confusão ultimamente acho que vou ser mais comedido nos comentários)
A despeito de achar sua quase bem-sucedida carreira de pré-celebridade muito engraçada, o meu comentário também é sobre outra coisa. Você falou que gosta de sapos e elogiou meu banner. Ainda esses dias, fiz um post sobre esses bichinhos tão simpáticos (http://rastreiodecozinha.blogspot.com/2008/01/pererecas-sapos-e-afins.html). Agora, eu tenho TOC (sabe, transtorno obsessivo compulsivo?). Quer dizer, acho que tenho. Uma vez li na Veja (aquela da Luciana Vendramini na capa) que um dos sete ou oito sintomas do TOC é o colecionismo. Não sei se você coleciona sapos (há quem o faça, certamente, porque conheço algumas pessoas), mas, o meu forte são os pinguins (tenho mais de 30 e não tenho uma geladeira para guardar todos, pobrezinhos, que passam mal nesse verão tropical que assola SP, Rio, BH e outras partes do país). Também tenho outras 6 ou 7 coleções dos mais variados objetos. Então, acredito que sou colecionista e, portanto, tocado pelo TOC. Tudo isso só para saber se você coleciona sapos. Coleciona? Outra coisa: se você fosse uma celebridade, marcada pelo desfile que foi sem nunca ter sido, não estaria aqui a contar esta estória e nos divertir. Posso garantir que entre a confraria (como a denomina Patty), você é celebridade. Beijo!
RM, já disse que aqui pode falar o que quiser... please, sem essa de não comentar!
bj
Mara, que frustração, hem amiga? Que tal sair na Rosas de Ouro este ano para compensar? Pense bem.
RM, que confusão vc andou se metendo?
Bjs for all
Oi, Mara.
Vou destoar. Acho que seu pai tomou a atitude correta. Sou machista com orgulho, e continuo achando que o mundo antigamente era melhor...
Mara,
Não sei se teria muito a acrescentar. Primeiro, gostei mesmo do texto. Segundo, não sou muito chegado a carnaval. Terceiro, sobre esse tipo de desejo feminino, apesar de me interessar muito, acho que a opinião de suas "comadres" valeria muito mais que a minha.
Foi bom conhecer um pouco mais de sua vida, fã de carteirinha que já me tornei.
Patty,
Qual a confusão em que me meti agora, não estou bem certo, mas até essa menina intrépida aqui do lado já parece estar sabendo...
Red, não coleciono sapos, mas gosto de objetos que os tenham como motivo! Não sou uma forte candidata a apegos, tão pouco de objetos... Mas, já tive!! rs
Não acho que seu prazer em colecionar coisas interessantes (pra vc) seja TOC, diria que é um passatempo saudável e pessoal.
Meu lado celebridade (mesmo sem ser rs) sempre incomodou meu ex-marido.. Não tenho culpa de ser popular, é o meu jeito, acho que tenho um imã interno e não rejeito o que faz parte de mim. Apenas aprendí a não canalizar isso para o fútil.. Uso esse meu poder de liderança, oratória e persuasão hoje em dia para ajudar em causas sociais e apoio a ONGs.. Isso sim, me faz muitíssimo bem.
Já vou lá ler o que vc indicou..
Obrigada pelos seus comentários tão inteligentes, claros e despretensiosos.
Beijo grande
Mara
Marcelo, não julgo seu lado machista, nem tão pouco faria alguma interferência na criação adotada em cada família.
Essa ´história não foi responsável por nenhum comprometimento relevante em minha vida. Meu pai sempre foi muito sensato.. mas não esqueça que eu estava na flor da idade e cheia de ilusões. Por isso, hoje, presto muita atenção aos desejos dos meus filhos pra não tomar nenhuma atitude precipitada ou injusta.
Também não poderia julgar se o "antigamente" era melhor... Pode até ser em algumas coisas, mas em outras tudo ficou superiormente mais interessantes. rs
Por favor, continue passando por aqui pois os melhores posts são aqueles que produzem comentários heterogênios.
Beijo enorme
Mara
Patty, um dia, contando aos meus filhos esse episódio, disse que antes de morrer ainda sairia numa escola de samba, mesmo que fosse fantasiada de Dercy Gonçalves..rs
Mas... acho que o tesão acabou!!rs
RM, elogios que são feitos por vc inflam tanto meu ego qto ser eleita destaque! rs Percebe como nossos valores (e corpo urgh que ódio rs) mudam no decorrer da vida??
Afinal não estou entendendo nada, que história é essa de "arrumado muita confusão"?
Tenha certeza que aqui não foi! Seu espaço será cativo sempre!!!
beijos
Mara, adorei saber desse seu lado "globeleza".
Bjs
Lu, vc moça inteligente que é, deve saber que uma certa parte do corpo femininor é requisito essencial pra fazer sucesso na avenida..rs E a minha, já naquela época era um pouco avantajada... rssrs
bjo
Faculdade...que tempo bom.
Quanto ao seu texto perfeito,só não vou opinar quando o desejo feminino..rsss
beijinhos :)
Sempre por aqui (nem sempre comentando) esas histórias deliciosas. São esses sítios "do bem" como o teu que fazem falta na rede. Mas reclamar pra quê? Basta vir aqui!
Beijo
G.
http://sobretudodelona.wordpress.com
Eu também estou boiando na "confusão" que o RM tá falando....
curiosa..rs.rs.rs.
Marinha, adorei o texto.
Há reações e sentimentos vários, mas as 'frustrações' (enquanto não superadas) parecem ser feitas de outros tecidos, de outras tramas...
Se eu pensar em todos os nãos que eu ouvi dos meus pais e o quanto isso ainda reverbera em mim...
Por outro lado, há sempre algo que ganhamos mesmo quando perdemos. Sem dizer que também vamos nos construindo mais fortes, mas isso a gente só consegue entender muito depois.
O importante é que a gente tropeça mas não cai!
Beijos
Pô gente,
Também não precisa levar tão a sério, né?
Era só mais uma brincadeira, é que às vezes perco o chamado "ponto de retorno".
Ontem, por exemplo, sacaneei aqui o nosso prezado Mr Almost, atribuindo a ele, comportamento que, tenho certeza, seria incapaz de tê-lo.
É claro que só pode ter sido o sacana do Marcos Rocha, repararam que ele ainda não apareceu? Medo de voltar à cena do crime...
(quaquaquaqua)
RM, tenho certeza que o motivo do sumiço do RM é justo... Além da mudança, deve estar providenciando os ingredientes da moqueca, afinal de contas o número de adeptos (confraria) está dando um sim ao "RSPV" (não adianta que não sei escrever francês, só sei falar a frase que representa a sigla..rsrs - pergunta pra K pois ela que é nossa charmosérrima francesinha).
bj
Mara,
A julgar pelos comentários, seu lado celebridade debutou, independente da Escola de Samba. E com justa razão.
A dúvida é: a escola ganhou ou perdeu? rs
Beijos,
Ana
Oi Mara, obrigado pelos comentários sobre as fotos. Eu não me canso de fazer fotos de lá. Tem algumas que eu já publiquei no blog que é puro verde. De uns anos para cá, há uma tendência, em geral, de conservação das matas naquela região. E também, claro, um aumento da fiscalização contra quem derruba árvores de forma ilegal. Ainda, houve, sim, um despovoamento da zona rural. Ninguém mais quer morar no meio do mato, a despeito da luz elétrica e do celular tornar tudo conectado. O resultado é que há um retorno de bichos e pássaros que haviam sumido de lá. E o engraçado é que durante anos eu rejeitei minhas raízes. Agora, faço um caminho de resgate. Quanto à tattoo, não, não é minha. É que no Rugido eu sempre coloco a foto de um leão (sou leonino) e como a tattoo foi debatida por aqui, tive a idéia de colocar o leão. Minhas tattoos são de outra natureza e duas delas estão em lugares de difícil acesso ao público, em geral. Curiosamente, pretendo fazer uma tattoo de leão, sim. Vamos ver. Beijo!
Oi, Mara.
Eu acho o seguinte:
Os "sins" (será que existe esse diabo dessa palavra?) constróem nosso ego, nossa individualidade e nosso instinto de sobrevivência.
Os "nãos" constróem nossas pequenas frustrações e, junto com elas, a possibilidade de que consigamos enxergar que não podemos ter nem ser tudo.
A partir disso é que há uma ética possível, um respeito ao próximo mais disseminado. O "não", em termos da formação do indivíduo, é muito mais importante do que possa parecer à primeira vista... talvez seja o único a 'formar' de fato.
O "não" é um papel que condiz mais com o pai. A mulher, por sua generosidade, por sua delicadeza e sua feminilidade, sempre foi aquela que, enquanto mãe, se empenhou pelo sim.
Os dois são importantes e fundamentais. O sim é uma vitória, e o não é um limite.
Mas hoje em dia, "pai" é uma figura em extinção. Não há mais "nãos", o respeito é uma coisa cada vez mais rara, como rara passou a ser a própria dignidade dos adolescentes.
Você é essa pessoa educada, respeitosa e respeitável, penso, deve muito mais aos nãos do que aos sins (enfim, usei essa palavra feia de novo, fazer o quê?).
E a grande verdade é que o barato é quando há um 'não' pra ser, às vezes, transgredido. O problema de hoje é que 'rebeldia' virou moda. Não seria isso uma dobra fatal do tempo sobre si mesmo? Ou meros devaneios de um escritor em suas conversas diárias com a lua?
Beijos.
Mara:
Há coisas (boas e más) que a gente só pode fazer quando é jovem; outras há que se podem fazer em qualquer altura:
Vai desfilar este ano no carnaval?
RM:
Você me sacaneou ontem?!!! Safado!
Marcelo, os "nãos" que ouví foram sempre de minha mãe a "matriarca mor" como já disse... Meu pai manifestou-se poucas vezes porém o respeito e admiração que eu e minha irmã temos por ele é algo incomum até. E, diferente de pais castradores, cheios da razão, carrascos (rs), ele sempre foi extremamente calmo, nunca levantou o tom de voz nem tão pouco falava palavrão. Dotado de uma ética ímpar e delicadeza invejável. Por incrível que pareça sempre tomou suas pinguinhas, porém nunca deu um "bafão" se quer... Enfim, isso aqui já está virando terapia..rs
Mas, só pra colocar pra vc o quanto influi o ambiente doméstico, a tranquilidade e bom senso para a formação dos filhos! E eu, depois que me separei de um casamento que era nocivo aos meus filhos, mudei tudo... Aqui em casa não gritamos, conversamos tudo e resolvemos entre a gente qualquer problema que surja (com "sins" ou com "nãos"..rs). Tenho fé que meus filhos continuarão deliciosos, fortes e "do bem" como demonstram até aqui.
bjs
Mara
Olha a Mara aí geeeeeeeeeeente! Se na avenida não deu, na blogosfera a senhorita já virou destaque... que bom que ao invés de fazer disso a sua infelicidade, vc reverteu para o fato da importância dos desejos, realizados ou não, e hoje seus filhotes podem beber dessa fonte.
Bjks,
ML
E aí, Mara.
Concordo plenamente com você.
Só pra constar, em nenhum momento eu criei relação direta do 'não' com a idéia de castração como usada no senso comum (na psicanálise ela tem um sentido um pouco diferente), com exageros racionais, trabalho de carrasco, ausência de calma, aumento de tom de voz ou uso dos palavrões. Inclusive, pra mim, é o 'não' que constrói nossa ética.
Claro, numa época na qual a televisão nos diz o tempo todo "você em primeiro lugar" (pra depois, na sutileza, nos enfiar as CPMFs goela abaixo), isso talvez soe um pouco diferente. O fato é que a liberdade é um mito ocidental. Os orientais sacaram isso há muito tempo. Mas isso é outra história.
E há um ponto. Acredito plenamente em você quando coloca o fato do seu pai não ter sido uma pessoa cheia de razão em tudo e tal. Mas estamos falando de um exemplo em particular. Ali, segundo o seu próprio relato, ele disse um 'não' que não admitia réplicas. Eu não defendo o autoritarismo (esse senão é só pra quem entendeu errado), mas defendo a necessidade da autoridade, que é bem diferente. Então, acho que alguns 'nãos' sem réplicas são importantes. É aí que nascem os limites nas nossas formações inconscientes.
Aliás, os desejos nunca são realizados por completo, porque sempre se transformam em novos desejos.. e esse é o barato da vida.
Um beijo.
Oi Mara! Ja li algumas vezes que todos nos temos que ter algumas frustracoes na vida. Mas essa sua eu nao conhecia! Como disse a Lu, achei um barato vc ter esse lado Globeleza!! rsrsrs!! Não sou nada de carnaval, mas aproveite os dias de samba pra cair na folia e ter o destaque que ja merecia desde o tempo da faculdade!! rsrsrs!!! bjs!!
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