segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Revolta!


Hoje o caso é mais sério... nada de brincadeira e uma grande revolta...

Como todos sabem, a cidade onde moro é pequena, bem interior mesmo, com direito a praça, coreto, padaria que só abre no domingo se o dono estiver com vontade, feira que só vende produtos de próprio cultivo tais como maxixe, mandioca, alguns produtos da culinária japonesa (a cidade foi colonizada por japoneses), pastel (engorduradíssimo) e as famosa pamonhas (doces, salgadas, recheadas de queijo... e eu detesto pamonhas.... ou seja, não frequento a feira, mesmo porque o melhor horário pra encontrar tudo isso é no sábado as 6 horas da madrugada)...

Entre outras peculiaridades, temos muitas quermesses, festa do padroeiro, eventos beneficentes, feira agropecuária (uma vez por ano na semana de aniversário da cidade), e com sorte circos, que fazem a alegria da garotada e dos adultos sem programação.

Porém temos a natureza em sua melhor forma como fonte de inspiração, paz e aconchego.

A pesca esportiva também é bem conceituada, trazendo turistas de várias regiões (mesmo sem uma boa infra-estrutura hoteleira e gastronômica), que sonham em voltar até pra morar na "Morada do Tucunaré" (nome turístico que denomina a cidade).

Muitos tem o hábito de caminhar pela rodovia que acaba na praia, cenário lindo no final da tarde, admirando a fauna e flora que são complexas.

Dia desses, me contaram que haviam instalado leoas, sim a esposa do leão, justamente à margem da rodovia, onde muitos passam.

Minha filha, como "natureba" convicta e super protetora de todas as espécies animais foi constatar. Voltou revoltada, pois observou a acomodação das três leoas, enjauladas e sem condição recomendada adequada.

Colheu informações que a deixaram pior ainda... A Polícia Florestal que tem um batalhão aqui "tirou o corpo fora" dizendo que não seria da alçada deles.

Como assim? Qual seria a função dos rapazes então? Apenas me parar nas minhas frequentes viagens pelos arredores e abrir o porta-malas pra verificar se não carrego tatús, capivaras, pacas ou qualquer outro animal? E mais, sob pena de uma bela multa ou até mesmo prisão se encontrarem!

Não, pensei, não pode ser! E o Ibama alguém entrou em contato? Não houve reposta...

Hoje fui ao local, pois até então meu cérebro só acumulava o que me diziam, mas ninguém tomava uma atitude coerente.

Lá fui eu, com máquina digital em punho e esperando ser um pouco de exagero.... Com vontade de fotografar os dóceis (?) bichinhos...

Estou pasma até agora, situação deplorável, as leoas nem rugiam, e tenho certeza que se a jaula fosse aberta não teriam forças pra atacar nem uma formiga.

Partimos pra investigação (eu, meus filhos e dona Encrenca, claro). Descobrimos alguns caminhões (acho que não é esse o nome) de um circo chamado "Vitória" (é pra morrer de catapora com o nome diante do absurdo), pessoas dentro de um terreno apenas murado, vivendo tal qual integrantes de circo... Porém quiseram "virar macho" quando nos viram fotografando! Sinto muito, mas não tenho medo de homem bravo hoje em dia! (Justifico, meu filho que é um tanto fortinho e alto também estava junto rs)

A conclusão que pude tirar é que hoje há uma legislação no estado de SP que circos não podem mais manter animais para os espetáculos nem pra nada... Ou seja, acredito que simplesmene fizeram a "desova" dos não bem quistos e que não servem pra mais nada.

Não conseguí entrar em contato com o Ibama, nem com a TV TEM (regional da Globo).... Fui ficando aflita, entrei na página da TV, enviei um e-mail explicando a situação e dizendo não ter fatos concretos pra julgar o que ví, mas que tinha certeza que seria uma boa reportagem se eles pudessem descobrir tudo e depois denunciar às autoridades competentes.

Neste momento, minha filha que cursa medicina veterinária (imaginem o estado dela), está no outro computador enviando um e-mail ao Ibama, colocando inclusive pra onde poderiam ser encaminhados os animais, visto que devido ao estado das leoas, acreditamos que não terão condições de voltar à convivência em alguma reserva. Mais provável seria mandá-las ao Zoológico. Aí podem me perguntar: nossa que trabalhão! Não, não seria nada de tão terrível, temos em Ilha Solteira (36km daqui) um zoológico mantido pela Fundação Cesp, onde minha filha inclusive estagiou no mês de dezembro.

Será que sou muito petulante, dona do mundo, intrometida? Ou as pessoas ainda não entenderam a consciência ambiental que é pregada pela mídia aos quatro cantos?

Virou questão de honra, vou fazer pressão de tudo quanto é lado... Quem sabe daqui há alguns dias volto pra trazer a definição e solução do caso...

Digo sempre aos meus filhos: Não importa se as pessoas não fazem nada diante de situações escabrosas, façam a parte de vocês pois estarão contribuindo, e muito, pra que os atos e consequências dos insanos sejam amenizados aos atingidos!

10 comentários:

Anônimo disse...

Querida,

É com certo temor que falo, pela exposição a que se submeteu, mas você está certa. Certíssima, lei é para ser cumprida.

A palavra correta para isso é cidadania, quase não conjugada, na prática, em nosso país.

Anônimo disse...

Oi, Mara, passei por aqui para agradecer os comentários no Incompletudes e li seu texto.

Você é de Sampa, não? Escreva para a K e para o Ricardo: eles são jornalistas e podem passar o email de algumas pessoas que podem publicar uma denúncia de peso.

É preciso que se faça algo a respeito e ainda bem que pessoas como você não se omitem.

bjo grande e sucesso

Marcos Rocha disse...

Oi, Mara...vilhosa:

Estou sumido e você sabe o motivo. Mas hoje li este e os posts anteriores.
Seus textos estão a cada dia mais gostosos de se ler. Você escreve pondo um pedaço de si mesma em cada palavra ou frase. Isso é ótimo.
Outra coisa: gostei da variedade dos temas. E sempre com uma abordagem de quem abre o coração e a mente -- os próprios e os dos leitores.
Parabéns.
Pena eu não ter votado na escolha da sua tatoo. Votaria numa orquídea bem delicada que refletisse a sua delicadeza e a sua beleza interior.
Mas acho que você já se decidiu pela borboleta. Cheguei atrasado, por causa dessa maldita, quero dizer, bendita mudança que não termina nunca.
Beijos e todo o meu carinho a você e à confraria que está fazendo do seu blog um dos mais interessantes pontos de encontro da blogosfera brasileira...

MR
15/1 - 00:22

Patty Diphusa disse...

Mara, que bom que ainda há pessoas como você e seus filhos para fazerem o alarde necessário em situações como essa. Isso é lição de vida e seus filhos sempre vão se lembrar disso. Parabéns, amiga. Gostei.

leve solto disse...

MR, que bom que apareceu, estava sentindo sua falta, porém, sei bem o que é uma mudança, ainda mais de uma cidade pra outra...

Na minha vida nada é definitivo, nem as tatutagens (rs), adorei a idéia da orguídea.. Quem sabe não faço logo duas? rs

Muito sorte em SP pra vc e sua família, beijos

Mara

Anônimo disse...

Exemplo clássico de alguém sempre tirando o corpo fora, só fica faltando ouvir a mais recorrente de todas, em outra circunstância, claro: Sra, a culpa é do sistema!

Mas tu é mesmo do balaco-baco!
Risos

Beijo

Entre Trintas disse...

Mara,

Fiquei tocada com a história e com sua determinação. É de gente assim,com sangue nas veias, que opaís precisa...

E aí? Já tem algum desdobramento para o caso das Leoas?

Bjo,

Gi

Data Vênia disse...

Mara,

Tente o Ministério Público Estadual. É provável que lá eles te dêem atenção.
Se não tiver sucesso, o Ministério Público Federal também pode ser acionado.

Eu já presenciei um caso parecido aqui no interior do Rio. É lastimável!

Sucesso.

DV

Anônimo disse...

Mara,

as leoas ainda estão lá?

desculpe, só pude ler agora o texto.

leve solto disse...

K, estão! Os donos se identificaram (circo) e explicaram que ninguém quer as leoas. Alegam que as autoridades dizem não terem pra onde levá-las. Se é verdade ou mentira não posso dizer. É de dar dó mesmo a situação em que se encontram e o descaso de forma geral.

obrigada pela atenção

bjs

Mara